|
|
21 de Março de 2008 Layla Anwar A quem não o saiba lembramos que, sob a ex-ditadura, nós estávamos vivos e que, agora, somos apenas cadáveres... 
| 21 de Março de 2008 Traduzido do árabe por Eman A. Khamas Quando invadiram o Iraque, a primeira coisa que os exércitos estadunidense e britânico atacaram foram os institutos, escolas e universidades científicos e de investigação, incendiando bibliotecas e património histórico, que expuseram à pilhagem e ao saque. Prova disso é o facto de o Iraque ter perdido 5.500 dos seus cientistas desde a invasão anglo-estadunidense de Abril de 2003. Os invasores tinham consciência do grande desenvolvimento científico e técnico do Iraque. Assassinar os cientistas iraquianos integra-se numa estratégia de “caos criativo” seguida pela ocupação desde a invasão, com o intuito de dominar os iraquianos e de os subjugar. Um caos sofisticadamente organizado. 
|
4 de Janeiro de 2008 Dahr Jamail “Se os EUA saírem do Iraque, vai agravar-se o sectarismo violento entre sunitas e xiitas”. É isto que tanto democratas como republicanos nos querem levar a crer. É um elemento chave da retórica utilizada para justificar a continuação da ocupação do Iraque. Esta propaganda, como outras do mesmo jaez, só ganha consistência, substância e realidade devido à ignorância de quem a digere. Eis como Dahr Jamail, conhecedor como poucos da realidade iraquiana, desmonta semelhante propaganda. 
| 2 de Janeiro de 2008 James Cogan, WSWS As notícias dos médias sobre festas de Ano Novo em certas zonas de Bagdade não conseguem disfarçar o facto de os iraquianos terem pouco a esperar do ano 2008 e ainda menos a festejar quanto a 2007. O ano passado foi mais um ano de morte, de destruição e de sofrimento. Em 2008 assistir-se-á à continuação da matança e da mutilação. Apesar da diminuição do número de baixas nos últimos três meses, o comandante estadunidense no Iraque, Petraeus, foi prevenindo que “inevitavelmente continuará a haver duros combates, dias difíceis e semanas difíceis”. 
|
27 de Dezembro de 2007 José Manuel Pureza Cada guerra é sempre um laboratório das guerras que virão depois. A guerra de agressão contra o Iraque tem-no sido a vários títulos. O da penetração da guerra pelo credo neo-liberal da privatização é certamente dos mais importantes. Na última década, os Estados Unidos subcontrataram crescentemente as tarefas mais sujas de execução da guerra em empresas privadas. O limbo jurídico em que se encontram estes executantes da guerra é o rosto legal de uma intensa batalha política. A responsabilização penal destes actores atípicos disputa-se no campo do Direito Internacional e da sua aplicabilidade. Militar e político, o atoleiro iraquiano é-o também no plano jurídico. 
| 24 de Dezembro de 2007 Abdel Bari Atuan Para Abdel Bari Atuan, as doações feitas à Autoridade Palestiniana na Conferência de Paris não têm outra finalidade que não seja a de recompensar a liquidação da resistência palestiniana. É um presente envenenado. 
|
14 de Dezembro de 2007 Mark Benjamin Um cidadão do Iémene nunca acusado do que quer que seja pelos EUA conta em pormenor os 19 meses de brutalidades e torturas psicológicas que lhe foram infligidos pela CIA, ao serviço da política norte-americana. A primeira narrativa completa, na primeira pessoa, sobre como funcionam as prisões secretas dos EUA no estrangeiro. Já agora, não esqueçamos que um número considerável dos voos clandestinos e ilegais que lhe estão associados têm tido apoios em Portugal (nomeadamente nas Lages, Açores), sob o olhar complacente dos governos do PSD e do PS. 
| 13 de Dezembro de 2007 John Pilger Os valores que partilhamos com os Estados Unidos são os do poder e da riqueza predadores, escreve John Pilger. Na sua mais recente crónica para o New Statesman, ele descreve as origens e os “valores partilhados” do British-American Project for a Successor Generation (BAP) [Projecto Britanico-Estadunidense para a Geração Vindoura], fundado em 1983 por Ronald Reagan com o apoio de Rupert Murdoch. O BAP de hoje reune-se todos os anos alternadamente nos EUA e na Grã-Bretanha e inclui cientistas, economistas, líderes comunitários e jornalistas, muitos deles progressistas ou “de esquerda”. 
|
6 de Dezembro de 2007 Haifa Zangana, entrevistada por Dale Crofts “Hoje é pior do que ontem, e ontem foi pior do que anteontem”. Presa e torturada por se opor ao regime de Saddam Hussein, Zangana trabalha desde então em Londres como jornalista. No seu último livro, A cidade das viúvas: relato de uma mulher iraquiana sobre a guerra e a resistência, conta pormenorizadamente como os direitos das mulheres têm sido desrespeitados sob a ocupação e como a violência deixou 1 milhão de viúvas a cuidar sozinhas dos seus lares. 
| 30 de Novembro de 2007 Asaf Durakovic “A experimentação e o uso da bomba atómica e, posteriormente, de munições e blindagens fabricadas com urânio empobrecido, contaminaram os locais de experimentação e os teatros de operação. Doenças novas atingiram tanto os soldados da Aliança Atlântica que manejavam as armas, como os seus inimigos ou as populações civis. Muito tempo depois do regresso da paz, as radiações continuam a contaminar as pessoas que a elas estão expostas”, diz-nos o professor Asaf Durakovic neste extenso e documentado estudo sobre a matéria. Se as fotos e os números deste estudo são impressionantes, não nos deveríamos deixar impressionar por dois outros aspectos que ele suscita: o ponto de vista friamente científico que por momentos leva o autor a parecer embarcado na demagogia “anti-terrorista” dos impérios; e a profusão de termos técnico-científicos que utiliza, cujo desconhecimento nos poderia afastar da compreensão do verdadeiro problema em análise. Mesmo com estas condicionantes, para nós, leitores comuns, é um alerta tão assustador quanto mobilizador. (TMI-AP) 
|
28 de Novembro de 2007 Max Fuller Faz parte das práticas-padrão da guerra contra-insurreccional (isto é, do terrorismo de Estado) formar forças especiais que assumem diferentes papeis na guerra e cometem atrocidades para desacreditar a oposição e ainda para formarem autênticas organizações para-estatais que levam à prática a acção secreta e suja do Estado. O exemplo mais pertinente dessas tácticas podemos encontrá-lo aqui bem perto de nós – do outro lado do canal, na Irlanda do Norte. No Iraque, os EUA e o Reino Unido é que estão a organizar e a comandar essas acções violentas, para dividirem o país segundo linhas de separação etno-sectárias e eliminarem qualquer forma de oposição política (daí a campanha de eliminação selectiva de professores universitários). 
| 28 de Novembro de 2007 Rosa Miriam Elizalde, Cubadebate Durante quase 12 anos, o sargento Jimmy Massey foi um US marine de nervos de aço e coração de pedra. Serviu no Iraque onde tomou parte em atrocidades, até abrir os olhos e passar a lutar contra a política belicista do seu país. Hoje é o animador da associação de veteranos do Iraque contra a guerra. No Salão do Livro de Caracas, onde foi apresentar o seu livro-testemunho Cowboys del infierno [título da versão francesa Kill! Kill! Kill!], respondeu às perguntas da jornalista cubana Rosa Miriam Alizalde, da publicação Cubadebate. 
|
26 de Novembro de 2007 Dahr Jamail Desde o começo da ocupação estadunidense do Iraque, os ataques aéreos dos militares EUA só mataram “militantes”, “criminosos”, “suspeitos resistentes”, “colocadores de IEDs” [bombas nas bermas], “combatentes anti-estadunidenses”, “terroristas”, “homens em idade militar”, “homens armados”, “extremistas” ou “al-Qaedas”. O padrão dos relatórios militares sobre esses ataques mantém-se o mesmo desde os primeiros anos da ocupação até hoje, ignorando ou desmentindo o morticínio de civis inocentes. Mas a versão fornecida pelos habitantes e pelas autoridades locais é sempre radicalmente diferente. Os médias dominantes difundem apenas e só a versão dos militares, seguindo fielmente a campanha de “gestão táctica da percepção” concebida e desenvolvida pelo Pentágono. 
| 4 de Novembro de 2007 Pedro de Pezarat Correia Desde 2003, quando os EUA se lançaram na desastrosa guerra de agressão no Iraque, a invasão do Irão está na ordem do dia. No início da guerra responsáveis de Washington afirmavam que se tratava de uma primeira fase, a que se seguiria a Síria e o Irão. Inscrevia-se numa estratégia regional de reajustamento do mosaico político do Médio Oriente, favorável a Israel, eliminando regimes que lhe são mais hostis e conferindo-lhe liberdade de acção para inviabilizar um Estado Palestiniano soberano nas fronteiras estabelecidas pelo plano de partilha da ONU. 
|
2 de Novembro de 2007 Patrick Martin Confrontado com uma maioria democrata no Congresso, o governo de Bush debate-se presentemente com três problemas concomitantes: a nomeação de um novo ministro da Justiça; a adopção de novas leis que intensificam a espionagem interna sobre a vida privada dos cidadãos e ainda a necessidade de um novo financiamento, de 200 mil milhões de dólares, para as guerras do Iraque e do Afeganistão. O pano de fundo das manobras são as convenções pré-eleitorais para a presidência, que se aproximam. Mas o assunto macabro que está no cerne da discussão é o da legitimização das torturas como meio (aliás de eficácia discutível) de obtenção de informações. Patrick Martin traça um quadro nada edificante, mas esclarecedor, deste xadrês tenebroso. 
| 18 de Outubro de 2007 Naomi Wolf Desde há cinco anos temos [o VoltaireNet] alertado a opinião pública mundial quanto à vontade da administração Bush de transformar os Estados Unidos num Estado autoritário. A nossa análise, que se baseava no estudo de projectos de lei, não foi levada em conta por alguns devido ao choque psicológico do 11 de Setembro. O que era apenas uma intenção é agora uma realidade. os textos [legais] são agora levados à prática: o novo regime intimida, assedia e, na verdade, silencia os seus opositores. Naomi Wolf recolheu testemunhos desta repressão e tenta mobilizar os seus concidadãos em defesa das liberdades. 
|
8 de Outubro de 2007 Abu Mohamad, CEOSI “A resistência iraquiana não tem nenhuma relação com a Al Qaeda, que tem uma visão, estratégia, propósitos e meios próprios. Uma parte dos assassinatos que ocorrem agora no Iraque são cometidos pela Al Qaeda e outra parte pelas milícias e os esquadrões da morte ligados aos partidos políticos [implicados no processo político imposto pelos EUA], que estão relacionados com a ocupação mas mesmo assim contam com o apoio do Irão através da sua intervenção no Iraque. […] O objectivo da resistência é conseguir uma libertação total. Quando os ocupantes saírem do Iraque vamos estabelecer um sistema nacional democrático, multipartidário, baseado em eleições livres, um regime em que participem todos os iraquianos que acreditam nos direitos colectivos.” 
| 7 de Outubro de 2007 Noam Chomsky Os estados munidos de armas nucleares são estados criminosos. Têm a obrigação legal, confirmada pelo Tribunal Internacional, de respeitar o Artigo 6 do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), que os exorta a levar a cabo negociações de boa fé para eliminar completamente as armas nucleares. Nenhum dos Estados nucleares o cumpriu. 
|
27 de Setembro de 2007 André Levy Os sinais de que os EUA estão a planear um ataque ao Irão continuam a emergir do interior do Pentágono e dos serviços de inteligência. Ahmadinejad vai descartando a probabilidade de os EUA atacarem o seu país . Temo que esteja a dar mais crédito à racionalidade da administração Bush-Cheney do que esta tem demonstrado merecer. Ou melhor, ela obedece a uma razão, mas a do imperialismo e seus interesses geoestratégicos, e não à lógica do direito internacional, da paz e respeito entre nações. Há que dar atenção e peso aos tambores de guerra que tocam cada vez mais alto em direcção ao Irão, preparando terreno para o momento oportuno. 
| “Não-governamental”?Uma “ONG” pouco recomendávelRobert Ménard, da Repórteres Sem Fronteiras, segue as pisadas de Washington e legitimiza a tortura 20 de Setembro de 2007 Salim Lamrani Robert Ménard, secretário-geral dos Repórteres Sem Fronteiras (RSF) desde 1985, é uma figura conhecida dos médias que afirma defender “a liberdade da imprensa” e se auto-adorna com um discurso humanista muito apreciado pela opinião pública. Mas tem sempre estendido o tapete aos EUA nos momentos delicados da sua agenda internacional – contra Cuba, a Venezuela, o Haiti, o Iraque e, agora, contra a China. Em Outubro de 2006, o Congresso dos Estados Unidos aprovou a lei iníqua que legaliza a tortura e declara estar-se nas tintas para as Convenções de Genebra. Em Agosto deste ano, Ménard legitimou a tortura num programa de rádio. Não admira. A RSF é, confessadamente, financiada por uma organização estadunidense ligada à CIA. 
|
|