|
|
27 de Março de 2008 Que manipulação maior poderá haver que a apresentação de “provas” sobre coisas que não existem? Pacheco Pereira, como todos os Pachecos Pereiras da altura, não quiseram ouvir as declarações que deitavam por terra essas "provas". Preferiram seguir a voz do dono Bush. Tinham escolhido o campo da guerra e portaram-se como seus propagandistas – e para isso manipularam eles mesmos, à sua escala, as provas existentes. Os que defenderam a guerra esforçam-se agora por parecer sérios ou por não serem tomados por idiotas úteis. O desgraçado processo que levou à destruição do Iraque, ao mais de um milhão de mortos, aos 5 milhões de refugiados e a tudo o que por lá se passa cai-lhes irrecusavelmente sobre os ombros na devida quota-parte. 
| 6 de Agosto de 2007 Recentes declarações do pré-candidato democrata à Presidência dos EUA Barak Obama - de ameaça ao Paquistão caso Musharaff não actue contra os «terroristas» - só vêm confirmar que existe uma continuidade, entre democratas e republicanos, na política imperial estadunidense. Em vez de apoiarem a maioria da opinião pública, contrária à guerra de ocupação do Iraque, os democratas demonstram mais uma vez (depois de no Congresso terem votado os créditos de guerra pedidos por Bush) que estão colados à política de guerra em curso. Ainda incapaz de marcar o rumo político, o movimento cívico anti-guerra não encontra eco na postura das democratas. As declarações de Obama correspondem à postura de quem se sente próximo do poder e parte integrante do poder. E não se evitará essa fatalidade enquanto a oposição à guerra não ganhar força e independência face a esse poder, seja o poder em exercício, seja o poder de reserva. 
|
25 de Maio de 2007 A Amnistia Internacional, no seu relatório de 2007, e em termos invulgarmente duros, acusa o governo de Bush de “tratar o mundo como um grande campo de batalha” a pretexto da luta “antiterrorista”. E critica ainda a colaboração prestada à política norte-americana por “lideranças míopes e cobardes” e “líderes sem princípios” que encorajam, sustentam e instigam o medo - como o caso do silêncio incómodo das autoridades portuguesas acerca dos voos da CIA. Por outro lado, as esperanças que as eleições de final de 2006 representaram para maioria da população norte-americana – que deu a vitória à oposição – desvanecem-se, aprisionadas pelos entendimentos entre democratas e republicanos, contrários à promessa dos democratas de imporem uma data para a retirada das tropas dos EUA do Iraque. 
| 17 de Fevereiro de 2007 A condenação à morte de três resistentes iraquianas mostra que a execução de Saddam Hussein e outros membros do partido Baas não foram actos isolados. Como se não bastassem as execuções praticadas pelos esquadrões da morte, a clique governante iraquiana prepara o caminho para execuções ‘judicialmente sancionadas’ de todos os que se oponham ao seu regime e à ocupação norte-americana. É vital denunciar a condenação à morte das resistentes iraquianas. Importa repudiar mais esta barbaridade e compelir as autoridades iraquianas a revogar a sentença. 
|
31 de Dezembro de 2006 Para o governo dos EUA, o enforcamento de Saddam Hussein foi "um marco na marcha do Iraque para a democracia", como fez saber o presidente Bush. Não espanta que o responsável pelo maior número de penas de morte consumadas no Texas, enquanto governador, se congratule com mais esta execução; mas que o presidente dos EUA associe o linchamento de Bagdad à "democratização" do Iraque diz tudo sobre os propósitos norte-americanos para o Iraque e para o Médio Oriente. (...) O sentido desta execução apressada é o de uma fuga para a frente no curso descontrolado que os acontecimentos vão tomando. Pesa sobre Bush e Blair um ambiente de derrota. (...) A condenação por parte do [actual] governo português da aplicação da pena de morte deixa intacta a cumplicidade activa dos governos de Durão Barroso e de Santana Lopes - e dá-lhe portanto continuidade, só que num contexto diferente. (...) Em Março próximo passam quatro anos sobre a invasão do Iraque. É de novo altura de a população portuguesa, em acção unitária, demonstrar que não aceita ser cúmplice da barbárie. 
| 13 de Novembro de 2006 É incontestável que a situação no Iraque esteve no centro das eleições intercalares norte-americanas de 7 de Novembro. Só isso, representa uma assinalável vitória da resistência iraquiana que, sem fazer campanha, marcou a agenda da disputa em solo norte-americano. Depois de terem ganho a iniciativa no plano militar, os iraquianos ganharam também a iniciativa no plano político. Este facto vai marcar o desenrolar dos acontecimentos daqui por diante. 
|
20 de Outubro de 2006 Os números sobre a mortalidade no Iraque publicados pela revista médica britânica The Lancet são aterradores. Desde a invasão, morreram, a mais que o normal, 655 mil iraquianos, 91% dos quais de causas violentas. Tentar desmentir o que a The Lancet diz só pode constituir um exercício de contra-propaganda, sem outro propósito que não seja esconder da opinião pública a realidade tenebrosa em que o Iraque mergulhou com a invasão anglo-norte-americana. Mas foi precisamente este expediente de contra-propaganda que a grande imprensa internacional pôs em marcha quando noticiou os números da catástrofe. Os títulos do Washington Post (Nova Iorque) e do Guardian (Londres), assim como, entre nós, os do Diário de Notícias, ou das cadeias de TV punham à frente dos dados do estudo os desmentidos de Bush e de Blair, no que só pode ser entendido como uma operação orquestrada de propaganda de guerra 
| 20 de Agosto de 2006 Na hora da retirada das tropas israelitas do Líbano, o ministro Shimon Peres quis deixar a impressão de que a expedição militar fora um êxito. O líder sionista quer dar a impressão de que Israel ganhou a guerra. Mas todos os comentadores com um mínimo de objectividade dizem o contrário. Israel destruíu o Líbano, mas não atingiu os objectivos que pretendia. O revés israelita é também um revés para os EUA e para a Grã-Bretanha. Tornou-se visível o apoio aberto das potências invasoras do Iraque à expedição militar israelita - em armas, na propaganda e no jogo diplomático. A entrada em cena de Israel representou para os EUA e a GB a mobilização do maior exército da região, pago em dólares, para a grande campanha de colonização do Médio Oriente. O governo português - que não fez um gesto que pusesse em causa a política do seu antecessor quanto à agressão praticada contra o Iraque - voltou, em actos, a colaborar com os agressores. Não era difícil prever, já na altura, que o caso do Iraque não seria único; e que, se o crime, tal como a cumplicidade, ficassem impunes, isso constituiria convite à reincidência. O mesmo problema se coloca de novo, agora, com a entrada ostensiva de Israel nos planos da guerra "infinita". Mais premente, portanto, se torna exigir uma mudança na política portuguesa. 
|
23 de Julho de 2006 "Isto é que é terrorismo, isto é que é terrorismo!" - repetia uma mulher portuguesa residente no Líbano, entrevistada pela TVI no telejornal do dia 16. A destruição de infraestruturas e a morte de tantas crianças e civis por todo o Líbano não são fruto de ataques "cirúrgicos". Aos poucos, vai-se desdobrando a lógica global, sem limites, sem lei, da "guerra infinita", dita "contra o terrorismo", da potência norte-americana. Como as organizações ligadas ao Tribunal Mundial sobre o Iraque têm sublinhado, é o Médio Oriente por inteiro que está sob a mira dos EUA. O ataque de Israel ao Líbano entronca, agora de forma aberta, na linha de actuação do imperialismo norte-americano e anuncia um agravamento da situação mundial. 
| 26 de Junho de 2006 O papel atribuído ao "estrangeiro" sempre constituiu um elemento-chave na propaganda dos colonizadores, na tentativa de diminuirem as capacidades e a legitimidade da resistência dos colonizados. E, bem assim, na tentativa de justificarem a sua própria presença em terra alheia. Mas as provas dadas pelos EUA sobre Al-Zarqaui valem tanto como as que foram apresentadas sobre as armas de destruição massiva. Perante o falhanço da sua política iraquiana, os EUA tinham de mostrar serviço. A liquidação de Al-Zarqaui cumpriu essa função. Mas o seu efeito vai ser tão efémero como o foi a prisão de Saddam Hussein, anunciada na altura como o princípio do fim da Resistência. 
|
7 de Março de 2006 É puro cinismo dizer que está a ser posta em causa a liberdade de expressão. O que a onda de protestos verdadeiramente põe em causa é a impunidade com que as grandes potências sempre agiram. O ocidente sente-se no direito (porque dispõe de força para isso) de actuar como quer – mas não reconhece aos ofendidos o direito de responderem nos termos em que eles entenderem. O problema é de confronto político, não de respeito por direitos formais. Nesse confronto, o ocidente tem feito uso de todos os meios ao seu dispor: sanções económicas, força militar e também propaganda. A resposta é contra tudo isto e não apenas contra as caricaturas de Maomé. 
| 19 de Janeiro de 2006 As razões que levaram à criação do Tribunal Mundial sobre o Iraque, e à realização de uma audiência em Portugal, permanecem infelizmente intactas: o Iraque continua ocupado por tropas estrangeiras, a sua sociedade e os seus recursos continuam a ser destruídos e saqueados, as violações cometidas pelos agressores continuam impunes e as organizações encarregadas de aplicar o direito internacional continuam inoperantes face aos actos dos EUA e da Grã-Bretanha. E quanto a Portugal, continua sem revogação a política de colaboração iniciada por Durão Barroso/Paulo Portas. 
|
|